quarta-feira, 16 de agosto de 2006
I N T E R A Ç Ã O
Ainda em formação, na Faculdade, escutávamos diversas vezes dos nossos professores, esta frase:
-"Pessoal, de agora em diante, a responsabilidade de vocês é muito grande e o cuidado tem que ser redobrado, porque vocês poderão modificar o comportamento do outro".
Acostumamo-nos a ouvir e a interiorizar, principalmente aqueles que optaram pela área clínica.
Contudo, não é preciso ser Psicólogo para modificar o comportamento do outro.
Fazemos isto todos os dias, sem percebermos.
Toda vez que interagimos provocamos uma modificação de comportamento. Conversamos tanto, usamos tanto a boca, apuramos os ouvidos, mas não percebemos um detalhe sutil: aquela pessoa com a qual interagimos não será mais a mesma.
E por que?
Porque, a partir da interação um pedacinho de você estará nela; um pedacinho dela estará em você.
Estes "pedacinhos de si próprio" podem ter várias formas: podem ser opiniões, idéias, gostos (preferências), uma particularidade (que pode ser um defeito ou uma qualidade), afinidades.
O caráter também é um modificador do comportamento alheio, mas isto é mais complexo e esta crônica/texto será curta (eu espero...).
Jacques Lacan, psicanalista, dizia que as interações com o meio eram pautadas por uma necessidade de complementação. Que o outro teria aquilo que nos falta e vice-versa.
Quanto mais profundo o dialogo, melhor a interação. A conversa flui rápida, cheia e ninguém, ao final, sai de mãos vazias.
É um interagir de mundos onde todos se enriquecem, pois não existe uma invasão de terreno. Muito pelo contrario, existe até mais terreno, pois cada um cede uma parte do próprio e, então, a área se expande ao invés de diminuir.
Quando interagimos com respeito e responsabilidade, honramos a parte do outro que habita em nós.
É uma forma, bem particular, de dizer:
"Seja bem-vindo(a)!"
Mônica Carone
domingo, 13 de agosto de 2006
C O R E S
O ser humano é uma caixinha de surpresas.
Ele nunca é o mesmo, está sempre mudando. Mudando de faceta, de atitude, de lado; mudando as cores (as dele e as do mundo), pegando paleta nova, misturando tudo. Se fossemos artistas, possivelmente, pintaríamos na tela um belo quadro.
Depois, olharíamos criticamente, poríamos a tela de lado e pintaríamos outra coisa. Aí, voltaríamos para a primeira tela, achando que a primeira pintura era melhor do que a segunda.
Por que?
Porque nunca estamos satisfeitos. Sempre há de faltar algo.
Ou em nós ou no mundo exterior.
Nascemos para atuar no mundo, pois somos gregários por natureza.
Mas, nem sempre as cores que pintamos em nossa tela-vida, espelha as cores do mundo que nos cerca.
Quando somos jovens, adolescentes, criamos tribos (com cores próprias), para nos inserirmos no mundo. E esperamos que ele nos aceite. Este, geralmente, é o nosso primeiro momento consciente de atuação.
Quando o mundo não aceita a "nossa tribo" e já se passou a primeira curtição de se ter uma tribo, tendemos a mudar a nossa cor (na a da tribo) particular, para nos integrarmos no mundo.
Isto que relatei é apenas uma das fases pelas quais passamos no processo de amadurecimento.
As tribos, geralmente, fazem parte da pré-adolescencia e da adolescência.
Entre a adolescência e a maturidade, tentamos escolher a melhor forma de nos adaptarmos ao mundo (já não queremos que ele se adapte a nós) e, finalmente, na maturidade chegamos a um consenso, uma harmonia tácita entre o mundo e nós.
Entrando na maturidade observamos que, aos poucos, somos pintados (pelo mundo: amigos, familiares, grupos) de várias cores. E já não brigamos mais com elas. Aceitamos os novos tons, como parte de nós sem abrirmos mão da nossa própria cor, da nossa essência.
No mundo, encontraremos pessoas cujas cores são complementares às nossas. Quando nos relacionamos emocionalmente.
Outras vezes, deparamo-nos com outras que trazem cores antagônicas.
Tendemos as nos aproximar das cores complementares e nos afastarmos das antagônicas. Para que a nossa harmonia interior não se quebre e a tela-nossa-de-cada-dia, seja pintura que valha a pena ver, sentir e vivenciar.
Mônica Carone
domingo, 6 de agosto de 2006
Depois de mais de 6 meses, estou de volta(tomara que pra ficar...)
quarta-feira, 7 de setembro de 2005
Os Olhos de Noite Escura já não me percebem mais. Talvez porque eu já não esteja em frente a eles, do lado de fora.
Deixe-me absorver por aquela noite, tão escura e sem estrelas.
Não me queixo da falta de luz. Quando a Noite me absorveu, tomou de assalto a luz que era nossa.
Eu-Luz habito dentro desses olhos. Olhos de Noite Escura.
Os olhos são da Noite. E a Noite é minha. Hoje. Mas "hoje, não é todo dia".
domingo, 12 de junho de 2005
Porque amor é coisa séria e na estrada do coração, anda-se com cuidado. Cuidado e respeito.
Há muito, muito tempo, foi-me dado(pedido atendido) um mote para um poema.
Vai transcrito abaixo, com poema e tudo.
Porque amor é coisa séria. Sobre isto, ninguém discute. O problema não está em dizer "eu te amo". Isto é muito fácil. Difcil é vivenciar o "nós", quando apenas pensamos no "eu".
Há tempos não posto.
Contudo, a data de hoje é especial. Para todos.
Bambalalão
Amorzinho vai, Amorzinho vem...
No balanço da rede na tarde nua
Sou luar anoitecendo tua pele
Alvo branco em pele escura.
Amorzinho vai, Amorzinho vem...
O céu muda de cor e posição
No vai e vem cadenciado;
Encaixe apaixonado.
Tua boca beija minha nuca
No momento propício
Sou plena num suspiro
Amorzinho vai, Amorzinho vem...
Mônica Carone
quinta-feira, 31 de março de 2005
Quando estava me formando em Psicologia, estudei um tópico que versava sobre as diferenças individuais: as variáveis que trazemos e que nos fazem pessoas únicas.
Como tudo tem dois lados, aqui está o reverso da moeda.
Deficiências Individuais
Portar alguma deficiência não é demérito algum. Convivemos todo tempo com pessoas que portam deficiências e podemos notar que, muitas vezes, elas nos superam em muito.
Não importa o órgão, temos testemunhos dignos e assombrosos. Uma pessoa que não possui mãos consegue pintar com os pés ou com a boca. Também já presenciamos, via televisão, deficientes sem mãos e até sem braços que conseguem, com o esforço próprio e da família, superar obstáculos bem difíceis. Vale dizer que existem cegos que conseguem produzir, serem pessoas ativas, sem lamentar o não poder ver.
Como também acontece o contrário: pessoas que não portam nenhuma deficiência externa, mas sim uma deficiência interna, tendo dificuldade no interagir com a realidade, fantasiando, deturpando, ferindo a si próprio e aos outros.
Falo das deficiências do íntimo, da alma. Podem ser de personalidade ou de caráter, não importa. Importante é saber o dano provocado por estas pessoas no convívio diário, dano este que nem eles percebem que infligem.
O espectro é grande:
Temos a surdez advinda de egos fracos, que deturpam tudo o que ouvem, gerando um comportamento compatível com uma deficiência egóica, apesar do conduto auditivo estar em plena forma. Também existem os cegos de percepção que não conseguem discernir o que vêm, alterando a realidade mais eficientemente do que qualquer alucinógeno. Quantas vezes interagimos com corações tão lesados que nem conseguem amar, porque sentem de forma deficiente? O órgão deficiente bate em compasso próprio, o quenão se coaduna com o compasso de ninguém.
As deficiências deste tipo são muito mais danosas do que quaisquer outras. Como são subjetivas não podem ser vistas a olho nu. Geralmente são sentidas quando o indivíduo interage com o meio. Infelizmente, para estas deficiências não existem remédios farmacológicos.
Algumas pessoas ainda têm a percepção de que algo está errado e tentam compensar, intuitivamente. Estas ainda têm jeito.
Pior são aquelas que não se percebem e acham que a deficiência está no outro. Estes deficientes acabam, por defesa, construindo um muro entre eles e os outros. Colocam-se atrás deste muro e, de lá, procuram viver. O escudo que eles próprios levantam, para não se ferirem, também é o responsável pela solidão que provocam.
Por acontecer bem devagar e sutilmente, o afastamento paulatino, quase imperceptível, acarreta tristeza e, não raro, doenças de cunho psicossomático.
Dizem que a alergia é a doença clínica do século. Antes, essa especialidade não existia e o clínico geral tratava dos distúrbios alérgicos. Agora, já existe a especialidade tal é a freqüência das alergias. Somos alérgicos a muita coisa, principalmente àquilo que nem pensávamos que éramos. Já foi comprovado que a alergia que afeta a respiração (asma, bronquite alérgica e/ou asmática) está, freqüentemente, ligada a perdas emocionais.
Perdas que não conseguimos superar, muitas vezes, abrem uma oportunidade para o desenvolvimento deste tipo de distúrbio. Da mesma forma que pessoas tensas e sempre sob stress podem desenvolver úlceras, cefaléias e problemas dermatológicos. As causas do aparecimento podem variar, mas o afloramento das doenças deste tipo estará ligada a uma perda emocional, com certeza, a qual pode ser circunstancial ou de raiz.
Todos sabemos que viver não é fácil. É difícil, é tarefa árdua. Temos um corpo, uma vida, uma mente. Todos possuímos os mesmos bens, mas o que fazemos com eles é outra história, que fica para uma outra vez.
Mônica Carone(ClaraluzJ)
quinta-feira, 17 de março de 2005
Mo(vi)mentos
É assim que vive um coração: de movimentos.
De sobe-e-desce. De paradas e continuidade.
Num pequeno espaço contido, ele pensa, sonha, sofre, chora: nas notas da canção; no murmurejar da cachoeira; no espaço do céu azul; no toque da mão; num olhar sublime e terno.
No mundo da barganha e do interesse, é moeda corrente.
É trocado, pisado, desprezado.
Quando a vida o premia com pancadas, curva-se e se estica ao máximo para não se romper.
Quantas vezes adormece inteiro, para acordar aos pedaços?
Vezes sem conta, recolhe seus próprios cacos.
Mônica Carone
segunda-feira, 14 de março de 2005
Muitas vezes eu sou injusta: esqueço de agradecer...
Tábula Rasa
E lá se vão meus sentimentos
Escorrendo no papel
Que calado recebe
Tanta tinta e tanto fel.
Sentimentos sem solução
Tristes rimas que verso
Mas solidário ele escuta
E acolhe meu choro vão.
Sem reclamar, o fiel.
Que embala minhas noites
E nem se importar sequer
Que o preencha de flores
Que mesmo tristes retratam
A menina-mulher-donzela
E permite que ela se transforme
Em fina poetisa-gazela
Mônica Carone(Claraluz)
quinta-feira, 10 de março de 2005
O bom gourmet vai além do prato para alcançar o que realmente interessa: o sabor.
Gourmet
Toque em minha alma
Descaminhe os meus passos
Desnude-me pele a pele
Sorva-me gota a gota
Sirva-se prato a prato
Mônica Carone
terça-feira, 8 de março de 2005
"Apenas para não dizerem que não falei de flores..."
No Dia Internacional da Mulher...
Conto de Fadas?
Quando Cinderela chegou ao pé da escadaria ela já tinha perdido o sapato e a paciência.
E como desgraça pouca é bobagem , nem na carruagem ela entrou, pois tudo tinha se desfeito antes da hora programada.
Por causa disto, ela foi obrigada a ir a pé para casa carregando uma abóbora que, de tão pesada, a fez perder o resto das gorduras que a dieta não tinha dado conta.
No dia seguinte, foi procurada pelo príncipe que, depois de experimentar o sapato, lhe pediu em casamento. Aceitou na hora. Adeus sarjeta! Miserê nunca mais!
Depois de um ano no palácio real, compreendeu que o tal príncipe gostava mais dele mesmo e dos seus favoritos do que dela.
Pediu o divórcio.
Com uma polpuda pensão vitalícia, escreveu a própria história, vendeu para um grande estúdio hollywoodiano e, a mando de uma grafóloga famosa, adicionou mais um ele no próprio nome para dar sorte e sucesso.
Dizem os antigos que ela foi infeliz para sempre. Sozinha. O som das moedas é metálico e o abraço do papel-moeda é muito frio e impessoal.
Mônica Carone
segunda-feira, 14 de fevereiro de 2005
Depois do Carnaval...
SONHANDO ACORDADA
Minhas pétalas foram tocadas
Sorves da minha essência
E me deixo por ti ser (ab) sorvida
Por mais que o povo diga
Nisso, não sinto indecência.
Adivinhas do que preciso
A cabeça curvada sobre o delta
Que deságua veloz no teu sorriso.
Comove-te a minha intimidade
Assim, com lágrimas vertidas?
Que enxugas uma a uma
Para ti, são lágrimas benditas.
Mônica Carone
segunda-feira, 24 de janeiro de 2005
As vezes.... acontece....
Traços
Pego a régua e o compasso
Com esquadro, refaço o traço
A mão desenha o arco amargo
Dos amores que não vivi
Nem a régua, nem o esquadro
Podem me trazer o abraço
Nem tirar, d'alma, o amargo
Dos beijos que não sofri
E o papel expõe o estrago
Refazer um novo traço
Sem régua e sem compasso.
Mônica Carone (17.02.02)
quinta-feira, 20 de janeiro de 2005
Vamos começar bem o Ano Novo: com uma boa ação!
Fazer o bem, sem olhar a quem
Estava faminto. Saiu apressadamente à rua, sem nem se importar com o que vestia. As luzes de néon dos restaurantes embrulharam o seu estômago, piorando a sensação de vazio e aumentando a sua ansiedade.
-Tio, o senhor tem um trocadinho ai?
A criança estava mais famélica do que ele. Miséria chama miséria. E ele acabara encontrando um ser tão miserável quanto ele mesmo. Meteu a mão no bolso e retirou três notas, retintas de novas.
U'a mãozinha magra e ávida, estendeu-se na direção do dinheiro. O pequenino pulso foi rodeado pela mão dele, imperiosa. Sentiu-se envergonhado, de repente e sem razão.
Largou o pulso do menino e deixou-o ir embora, feliz, com um bom monte de notas nas mãozinhas. E ele ficou ali parado. Odiando-se. Se ele não tinha alma, porque se sentira tão mal?
Voltou para casa, interrogando-se e odiando-se mais ainda. Que os humanos se danassem. Ele queria era mais. Nada importava: apenas ele.
No saguão do prédio onde morava, encontrou um conhecido agiota. Visita inoportuna. Ocultou o seu nojo, por detrás da máscara que sempre vestia: a educação.
O homenzinho era desagradável por natureza. Os olhinhos apertados na face rechonchuda, não escondiam o brilho do prazer que lhe dava cobrar o que ele achava do seu direito. E ainda se achava justo, o crápula! Sua ultima vitima tinha sido um homem das suas próprias relações, um amigo. Espremera-o até não restar mais nenhuma gota, melhor dizendo, nenhuma nota. O homenzinho falava e ele apenas ouvia, calado. Conhecia a pessoa lesada por aquele lixo humano. Era um bom homem, trabalhador. Apenas não administrara bem o próprio bolso e, então, pedira um empréstimo. E para o homem errado. Seu ódio cresceu a ponto de mudar a cor do proprio rosto, tornando-o mais pálido ainda.
O agiota atribuiu este empalidecer a um mal-estar e sugeriu saírem para "tomar ar". Aceitou, na hora. Precisava mesmo de ar, já que a proximidade daquela criatura detestável poluiria o próprio ar do Paraíso.
Saíram conversando e, sem perceberem, se distanciaram do centro da cidade. Distraídos, enveredaram por uma viela escura, um beco. Exatamente na hora em que o agiota relatava (pela terceira vez) como extorquira até o ultimo centavo do cliente. Então, ele não se agüentou mais.
Empurrou o traste para parede mais próxima, cortou a jugular com a ponta do canino direito. Enquanto o fazia, pressionou o tórax da vítima para que o ar não chegasse e não houvesse nenhum grito inoportuno. Fartou-se ali mesmo, sem nem se importar de ficar com a blusa cheia de riscos de sangue.
Quando acabou, despiu a camisa do morto e limpou a própria boca. Abotoou o blazer, escondendo a camisa ensangüentada. Saiu do beco, mais leve do que tinha entrado.
Nada como fazer uma boa ação todos os dias. E ele nem era escoteiro.
Mônica Carone
quarta-feira, 12 de janeiro de 2005
O texto que programei para sair no começo do ano ainda está sendo "programado".
Deverá sair nos proximos dias(assim espero).
Para compensar tanta ausência(a minha e a do texto), dois mínimos contos bem antagônicos.
Um jeitinho humano de ser claramente escura.
Ciclos
Passara um bom tempo olhando o quadro da sala de jantar. A pintura era a de uma montanha, cheia de escarpas, entrevendo profundos abismos.
Bem lá no fundo, em um dos cantos, quase imperceptível, uma pequena cachoeira desaguava no abismo.
Uma sobreposição perfeita: ela e o quadro.
Pegou o telefone; um anúncio para alpinistas corajosos lhe pareceu uma idéia, no mínimo, criativa.
Mônica Carone
O Jardim Mais Belo da Cidade
Não havia em lugar algum rosas mais vermelhas nem lírios mais brancos: sangue vivo misturando-se ao branco das almas sem manchas.
Aos elogios e perguntas, ele apenas sorria e dizia que trabalhara duro e que o segredo era o adubo, da melhor qualidade.
Só não contava onde ele o conseguia: no cemitério.
Quanto mais fresco o cadáver, melhor o resultado.
Mônica Carone
>quarta-feira, 12 de janeiro de 2005
Pois bem, era para este post ter saido há duas semanas, mas não teve nem jeito e nem oportunidade.
Antes de (recomeçar) desejo a todos os amigos:aos proximos e aos distantes; aos assiduos e aos não assiduos; aos que vejo constantemente e aos que quase não vejo. Enfim, quero desejar a todos um 2005 repleto de conquistas, recheado de coisas boas e, principalmente, de aprendizagens.
Na época do Natal e Ano Novo, os blogs estavam cheiinhos de mensagens de Boas Festas.
Não tive ânimo de escrever a minha. Contudo, o meu desejo de Paz e de conquistas(ultra, max e hiperconquistas) é sincero e ,acho, ainda em tempo.
sexta-feira, 17 de dezembro de 2004
Mínimo conto depois de uma semana atarefada(ufa!!)
O Ladrão
Fora levado para a delegacia e, lá, verificou que a acusação era a de ladroagem e partia de uma ex-namorada.
Tão antiga que nem mais se lembrava dela.
Colocadas as cartas na mesa, as dela(acusando) e as dele (defendendo-se), o delegado decidiu por efetivar a prisão, ratificando a queixa.
E o escrivão olhou para a ficha com aquela acusação inusitada: ladrão de sonhos.
Mônica Carone
segunda-feira, 13 de dezembro de 2004
Começando a semana e desejando que ela seja muito boa para todos!
Contando Uma História
Era uma vez...
Eu amo contos de fadas e lendas. Minha memória está cheia deles e dos livros de historias que pude guardar, tenho um ciúme enorme.
Contos de fada são viagem única. Nenhum tipo de historia tem o efeito que eles têm, nem trazem à boca um gosto tão especial. Talvez porque, dentro de nós sempre existirá, em alguma parte, uma princesa ou um príncipe.
Outrossim, porque a vida nos fornece tantos dragões para matar que acabamos vestindo a fantasia e, com sorte, somos heróis da nossa própria historia.
Em algumas culturas existe o status de contador de histórias e não é um cargo simplório ou pró-forma: é serio, mesmo.
Equivale ao cargo de professor, pois contando lendas e historias, eles passam conhecimentos e quem ouve, aprende.
Geralmente, esta função passa de pai para filho, a escolha leva anos e pede um comportamento coerente, fiel e compromissado, pois um universo inteiro é passado além e assim, preservam-se culturas inteiras.
Dentro da nossa cultura esta função, geralmente, é incorporada pelos avós. Não é incomum, no interior, a gurizada sentar na varanda à noitinha, para ouvir os "causos" dos mais velhos.
É um momento mágico, tudo pára e um universo é criado do nada, emerge da boca de quem conta para tomar forma na mente e no coração de cada ouvinte. E, de forma suave e sutil, são passados um leque enorme de conhecimentos, hábitos, atitudes e comportamentos.
Pode parecer fácil, mas contar uma historia exige muito cuidado da parte de quem a veicula. Porque não são apenas meras palavras jogadas ao léu. Quem conta uma historia fornece uma passagem gratuita a um mundo totalmente novo e que muda a cada vez. Nunca é o mesmo. Depende do que se conta e como se conta.
Quem é professor ou bibliotecário sabe que o rostinho das crianças, ao ouvir uma historia, se transforma, os olhos ficam sonhadores, as boquinhas se abrem e tudo some: foi dada a partida para uma viagem maravilhosa e sem limites.
Quando a viagem termina e todos voltam a Terra, trazem dentro de si um universo novo que vai ser vivenciado através das brincadeiras que elas vão criar. E, brincando, exercitam a própria capacidade de criatividade e de fantasia. Serão o que quiserem ser: príncipes, princesas, cowboy, índios, feiticeiros, fadas, flores, Sol e Lua.
Adultos sadios, com certeza, são aqueles que ouviram um bocado de historias e que foram, nas brincadeiras, todos os heróis que puderam ser. Mataram os seus dragões e casaram com as princesas escolhidas.
Esta historia de mim para você acaba aqui, mas o que leu ficará em você que, um dia, contará para alguém que, por sua vez, contará para um outro alguém...Que contará...E contará...
Mônica Carone
terça-feira, 7 de dezembro de 2004
Peço desculpas a todos por sumir sem avisar.
Problema de doeça na familia, impediram-me de fazer uma das coisas que mais gosto: escrever e compartilhar com os amigos, além de visitá-los.
Espero, sinceramente, voltar em breve. Tão logo possa.
Desculpem a visitas em falta, mas até abrir o pc, agora, para postar o que estão lendo, está dificil.
As fases, na vida, são transitórias e fugazes.
Tanto as boas quanto as ruins.
A gente vive desejando que as boas perdurem e que as ruins passem rápido.
Um grande e carinhoso beijo a todos.
Mônica Carone
quinta-feira, 25 de novembro de 2004
Hoje as coisas estão meio nubladas por aqui, apesar do sol e calor. Não sei se postarei mais tarde.
Então,
Sounds
Na quietude do dia iniciado amanheci chovendo as frustrações dos idílios cegos;
hoje chovi intensamente minhas recordações mais caras adquiridas nos saldos da vida e nas liquidações dos que não possuem moeda e se contentam com pouco;
estou chuva sem tristeza e sem calor;
estou vazia e sem escrita;
estou ouvinte do silêncio que habita em mim.
Mônica Carone
>quinta-feira, 25 de novembro de 2004
Queridos amigos,
Agradeço a todos vocês o estimulo e a força, impressa em suas visitas e comentários.
São o estimulo, na medida certa, que preciso para continuar.
Retribuirei cada visita, logo que tiver um tempinho. Ultimamente ele anda meio escasso para eu fazer o que gosto: visita-los com tempo, ler atentamente o que está postado e, ai sim, comentar do jeito que gosto, com calma.
Porque o que é bom, a gente curte sem pressa. Como deve ser.
Um grannnnnnnnnnnnde beijão a todos,
Mônica